Na avaliação de um executivo de uma grande construtora interessada no trem-bala, as empresas que participam do consórcio de Belo Monte não têm capital suficiente para bancar participação relevante no projeto. Nem condições de entrar no projeto do trem-bala sem se associar a um dos grupos estrangeiros que detêm a tecnologia e a experiência para esse empreendimento. Estudos preliminares feitos por essa construtora sugerem que o custo do projeto fique perto de R$ 50 bilhões.
PRESSA O presidente Lula tem pressa, mas sua equipe teme não conseguir realizar o leilão ainda neste ano por dois motivos: entraves legais e ambientais, além do receio dos investidores de entrar num negócio de longo prazo, sem retorno muito certo. No setor privado, ainda há muita dúvida sobre o projeto em relação a custos e retorno, o que pode até dificultar a formação de consórcios para o leilão marcado para o final de novembro. É quase um consenso que o trem custará mais que os R$ 33,4 bilhões estimados. O Tribunal de Contas da União apontou que o estudo de demanda foi manipulado e que não é possível prever o valor da obra, devido ao fato de apenas 4,4% dos estudos mínimos de geologia terem sido feitos. Por causa disso, foi determinado que o governo não poderá financiar mais que 60,3% da obra ou R$ 19,9 bilhões (o que for menor) e não poderá haver repasse à tarifa em caso de frustração de demanda. Com essas amarras, e o preço da tarifa econômica SP-RJ limitado a R$ 199,73, analistas temem que a conta possa não fechar, mesmo com o grande volume de dinheiro público disponível para o negócio. A tendência é que, para viabilizar a obra, Lula determine forte participação estatal, como aconteceu com Belo Monte, com os fundos de pensão, já que não há grandes estatais de transportes. O problema ambiental pode ser outro entrave. Pelo edital, o vencedor da licitação do trem-bala só poderá começar a obra após a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) entregar a licença prévia. Apesar de o governo já ter iniciado o processo de licenciamento ambiental, ainda não se sabe o traçado e, por conta disso e de eventuais desvios por conta de empecilhos ambientais, o custo da obra pode aumentar. Em Belo Monte, o governo chegou a marcar o leilão para o dia 21 de dezembro de 2009, mas teve de ser adiado para 20 de abril de 2010 por um atraso na liberação das licenças ambientais. Fonte: Folha de SP |